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Mostrando postagens de dezembro, 2022

O PRESENTE DO ESCORPIÃO

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  Simone Tebet almeja o Ministério do Desenvolvimento Social, casa do Bolsa Família, programa estrutural do governo Lula. Há murmúrios que para Tebet é o MDS ou nada. Ou seja, é mais um ônus do Centrão que Lula terá que negociar como barganha política entre os programas de assistência social e o agronegócio. Afinal, Tebet é a ponte entre uma direita agro e “civilizada”  e o atual governo. Guilherme Boulos disse em uma entrevista recente que buscará puxar o PT mais para a esquerda e Simone puxará certamente para a direita. Além de Simone, Arthur Lira também prepara sua cota de chantagem: o “consórcio dos deputados”. Os 150 votos de deputados para a aprovação da PEC da Transição em troca do Ministério da Saúde. Ou seja, já começou as duras batalhas pela soberania do governo. Por mais que tenha uma preocupação social e educacional latente, será que os projetos de Tebet são desenvolvimentistas ou apenas neoliberais? Destoantes, portanto, do governo petista. A precarização da educa...

GRUPOS DE TRANSIÇÃO

Uma das principais características do governo Lula é a união de forças divergentes em um mesmo espaço político. Ao ponto que nem os próprios opositores do presidente sabem muitas das vezes ao certo de que lado se posicionar. Tamanha desorientação gerada por tantos contrastes políticos. O músico e pensador Rogério Skylab em seu livro “Lulismo Selvagem” chegou a chamar esse fenômeno de “tropicalista”. A caraterística político estética do lulismo seria a bricolagem. A superposição de diversas forças conflitantes. No campo da esquerda e da direita também. Visto que Lula posiciona-se mais a centro esquerda que a esquerda propriamente dita. Como já aconteceu em outros países da América Latina, vide Venezuela e Colômbia.     O lulismo é um fenômeno político que visa confundir a análise óbvia de viés conservador. Pode-se notar muito bem isso nos GT (grupos de transição) reunidos no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) em Brasília. São ao todo 33 grupos formados por 939 par...

O MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL

  É sabido que na partilha política dos ministérios impera as pressões partidárias, onde cada um quer sua fatia do bolo, por ter segurado a mão de Lula durante a campanha. Ao qual o futuro presidente precisará ter pulso firme para escolher bem. A frente ampla do terceiro governo Lula abriga em seu guarda-chuva aliados representantes de quase todos os partidos brasileiros, com exceção, talvez, do PL de Bolsonaro. Há ministérios estratégicos e fundamentais que não podem ser cedidos, por conta da desfiguração dos objetivos fundamentais do futuro governo. Retirar o Brasil do mapa da fome é o principal deles. Visto, o retrocesso bárbaro de quatro anos de Bolsonaro.  Portanto, o Ministério da Fazendo precisa ser notoriamente partidário, deve ser entregue a alguém do partido. O nome recorrente nas discussões é o de Fernando Haddad. Já o ministério da Justiça e Segurança Pública, ao que tudo sugere, será entregue a Flávio Dino, também é fundamental para que se mantenha a estrutura do ...

LULA E OS SINDICATOS

O encontro de Lula com os representantes sindicais do país (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB e outras entidades que representam trabalhadores) no último dia 01 de dezembro, é um começo para se pensar na importância dos sindicatos para o futuro dos trabalhadores. Os sindicatos vêm sofrendo uma grande baixa com o passar do tempo, visto a pressão neoliberal para o fortalecimento do empresariado e a quase extinção do setor. Há uma dívida de Lula para com os sindicalistas, em seus dois últimos mandatos, Lula se aproximou muito do setor empresarial e não deu atenção devida aos sindicatos. Criou até certa mágoa com alguns representantes e movimentos engajados que acabaram por diluir. Não operou junto a eles a reestruturação necessária para que conseguissem acompanhar as transformações perversas do capital. Transformações que geraram um maior aumento de trabalhos e serviços precarizados, aliado à sanha de empresários para reduzir, se não, extinguir ao máximo os direitos trabalhistas....

TETO DE GASTOS

A lei do teto de gastos foi uma criação do governo Michel Temer (2016-2018) para barrar os excessos de gastos governamentais e impedir o endividamento do Estado. Porém, essa lei se mostrou disfuncional quando o assunto é imprescindível e precisa ser realizado com urgência. Como é o caso das demandas propostas na PEC da Transição do governo Lula, indispensáveis à população brasileira: o programa Bolsa Família, o auxílio às creches e o reajuste do salário mínimo.   O governo Lula é comprometido com as demandas sociais, Lula reitera várias vezes em sua fala a importância da erradicação da fome em seu governo. Se o foi nos mandatos passados, é uma missão de vida nesse último. Para isso, a luta precisa enfrentar as forças neoliberais que buscam regular a política conforme as leis do mercado. Obviamente, o mercado não está interessado em reformas sociais essenciais para o país. Pois o governo Bolsonaro cortou em até 95% (de 1.426 bi em 2019 para os previstos 32 mi em 2023) da renda ...