O MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL

 


É sabido que na partilha política dos ministérios impera as pressões partidárias, onde cada um quer sua fatia do bolo, por ter segurado a mão de Lula durante a campanha. Ao qual o futuro presidente precisará ter pulso firme para escolher bem. A frente ampla do terceiro governo Lula abriga em seu guarda-chuva aliados representantes de quase todos os partidos brasileiros, com exceção, talvez, do PL de Bolsonaro. Há ministérios estratégicos e fundamentais que não podem ser cedidos, por conta da desfiguração dos objetivos fundamentais do futuro governo. Retirar o Brasil do mapa da fome é o principal deles. Visto, o retrocesso bárbaro de quatro anos de Bolsonaro. 


Portanto, o Ministério da Fazendo precisa ser notoriamente partidário, deve ser entregue a alguém do partido. O nome recorrente nas discussões é o de Fernando Haddad. Já o ministério da Justiça e Segurança Pública, ao que tudo sugere, será entregue a Flávio Dino, também é fundamental para que se mantenha a estrutura do governo. E, que não se venha a cair novamente em um golpe judiciário como foi a operação Lava Jato. É essencial que os ministérios venham a ser entregues para pessoas confiáveis e competentes. E com a mesma visão ideológica que a de Lula.


Outro ministério fundamental é o do Desenvolvimento Social, ao qual Simone Tebet manifestou interesse. Tebet do MDB tornou-se uma das protagonistas da eleição ao ficar em terceiro lugar no primeiro turno. E ao apoiar integralmente Lula, aliando-se a sua campanha para o segundo turno. Portanto, é até justo que receba algum ministério, como gratificação à sua lealdade. Mas, precisa ser o do Desenvolvimento Social? Aí, que reside o perigo. Será que alguém com a visão ideológica e formação política de Simone Tebet deve assumir a pasta? Um dos grandes e variados rombos que Bolsonaro deixou de legado do seu governo para 2023, é justamente o ligado às políticas de assistência social. Será necessário um engajamento hercúleo para recuperá-las e repagina-las para os próximos quatros anos. Será que não seria melhor alguém com experiência em assistência social e com histórico de lutas pelas causas sociais? 


Será que entregar a pasta a Simone Tebet não é incorrer num erro gravíssimo? O de delegar para a direita uma pauta fundamentalmente de esquerda: os programas de assistência social tem uma relação profunda com o marxismo. Sabemos que a direita não tem muita tradição quando o assunto é cuidar dos mais pobres. Parece se preocupar muito mais com o mercado e suas histerias financeiras.


A luta pelos direitos dos mais pobres será fundamental para os objetivos do governo Lula, no seu terceiro mandato. Como foi nos anteriores também. É preciso muita cautela e paciência dele e da sua equipe de transição para convencer Simone Tebet de que neste momento não é apropriado o seu nome para o cargo. Como Lula salientou na última coletiva de imprensa: vai escutar a todos, mas quem monta os ministérios é ele. É preciso mais que nunca não ceder em postos estratégicos estruturantes para os seus planos de governo. É necessário alguém de confiança, com experiência nas lutas sociais e que privilegie essencialmente as pessoas necessitadas, para assumir esse cargo. Alguém comprometido com a luta social brasileira. O Brasil precisa urgentemente de uma liderança sólida e solidária e que, assim como Lula, tenha como missão de vida a luta pelos direitos dos mais pobres.  


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