GRUPOS DE TRANSIÇÃO
Uma das principais características do governo Lula é a união de forças divergentes em um mesmo espaço político. Ao ponto que nem os próprios opositores do presidente sabem muitas das vezes ao certo de que lado se posicionar. Tamanha desorientação gerada por tantos contrastes políticos. O músico e pensador Rogério Skylab em seu livro “Lulismo Selvagem” chegou a chamar esse fenômeno de “tropicalista”. A caraterística político estética do lulismo seria a bricolagem. A superposição de diversas forças conflitantes. No campo da esquerda e da direita também. Visto que Lula posiciona-se mais a centro esquerda que a esquerda propriamente dita. Como já aconteceu em outros países da América Latina, vide Venezuela e Colômbia.
O lulismo é um fenômeno político que visa confundir a análise óbvia de viés conservador. Pode-se notar muito bem isso nos GT (grupos de transição) reunidos no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) em Brasília. São ao todo 33 grupos formados por 939 participantes. Representantes de praticamente todos os partidos da esquerda e da direita, com exceção do PL (partido de Bolsonaro). Por enquanto, verá como se comporta o governador recém eleito de São Paulo: Tarcisio Freitas. Nesse campo político onde o lulismo impera. Essa algaravia é uma mostra da maneira como Lula gosta de governar, sempre reunindo o máximo possível de pensamentos diversos. Ao ponto que as linhas que separam oposição e base ficam muito tênues. Lula é um dialogador implacável e ele compõe seu time de ministros no calor do momento. Apesar de ter bem seguro e ao alcance das mãos os seus aliados mais confiáveis. Na fervura máxima. No olho do vulcão. Parece compor de cabeça como um experiente técnico de futebol e se sente mais à vontade quanto mais improvável é a mistura constituinte das suas equipes. Ele busca beber de todas as fontes, das mais perigosas também. Vide o caso do jatinho a caminho da COP 27.
Lula gosta de ouvir a todos, gosta de jogar com todas as cartas na mão. Escutar todos os palpiteiras, mas decidir no final. Talvez agora, em seu possível último mandato, mais experiente do que nunca, Lula saiba arriscar com mais segurança. Ele já nos mostrou cinco cartas ministeriais antes da sua diplomação (12).
José Múcio no Ministério das Forças Armadas: É a escolha mais conservadora de Lula, é o sinal de que as coisas não mudarão muito nas Forças Armadas. E também parece ser um lance de Lula para desmotivar os atos golpistas da caserna. Um gesto de apaziguamento. O que preocupa alguns setores da esquerda, que esperavam uma nomeação mais progressista.
Fernando Haddad no Ministério da Fazenda: Já não é novidade que seja o sucessor escolhido por Lula, portanto cabe a ele um dos ministérios mais importantes. É um teste de fogo para Haddad mostrar tudo o que é capaz. É também um dos alvos de ataque da grande mídia, muito ligada aos fundamentalismos do mercado. Além do mais, Haddad é um excelente representante da esquerda.
Flávio Dino no Ministro da Justiça e Segurança Pública: É um dos nomes mais fortes ao lado de Haddad e que representam o PT, o experiente ex-governador do Maranhão assumirá uma pasta importantíssima. Dino terá como missão o desarmamento do Brasil. E a luta pela desjudicialização da política. Contra os excessos judiciários que geraram a operação Lava Jato. construir a segurança de um país, que em quatro anos reinou sob o excesso armamentista do ex-presidente.
Rui Costa no Ministério da Casa Civil: Talvez o nome menos comentado dos cinco, seja o do governador da Bahia e companheiro de Lula a longo tempo.
Mauro Vieira no Itamaraty: Ele terá pela frente a dura missão de atualizar o Itamaraty para o mundo multipolar que vivemos, com Rússia e China assolando o império norte-americano.
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