NEOLIBERALISMO, MILITARISMO E EDUCAÇÃO
É notório que a política neoliberal visa a transformação da educação em mão de obra técnica para o mercado, quando não só a formação de meros operários na sociedade. Abolindo toda a tradição do pensamento crítico, a consciência de luta de classes e a luta pelos direitos civis. Formação operária como no clássico de Charles Chaplin, “Tempos Modernos” (1936), de apertadores de parafuso. Hoje, no entanto, para apertadores de parafusos dos meios digitais. Tamanho o enfoque na financeirização da vida contemporânea, toda a dimensão educacional e cultural da vida resumida ao rendimento monetário. Aqui no Paraná, observamos a privatização da nossa maior estatal, a empresa elétrica Copel, à reboque do sucateamento de duas de nossas referências nacionais em educação e cultura: O Colégio Estadual do Paraná e a Biblioteca Pública do Paraná. Além da privatização de escolas públicas no interior do Estado. Tudo isso faz parte de uma política neoliberal que busca extinguir os espaços públicos, visando apenas maior lucro no mercado. Formação de uma mão de obra sem consciência crítica e o fim da coletivização.
É só olharmos para a safra de cursos à distância surgida nos últimos quatro anos, angariando um público de estudantes à parte de uma socialização no ensino. Privados de frequentar os espaços públicos e privados de educação. Sendo um dos mentores desse ensino técnico e digital o empresário e ex-secretário da educação no governo Ratinho Jr (PR), Renato Feder. Que transformou, no Paraná, em média 195 escolas públicas em escolas cívico-militares, medida tida como inconstitucional. Feder é um defensor aguerrido do neoliberalismo no ensino, e já defendeu até a extinção do MEC e a criação de salas de aula sem professores. E no governo de Bolsonaro aliou o ensino técnico ao pensamento conservador. Ele também já foi cogitado como Ministro da Educação do governo de Bolsonaro. E Hoje, está ao lado de Tarcísio Freitas no governo de São Paulo.
Já a proliferação de cursos à distância que visam substituir o ingresso de alunos nos campus universitários do país, mostram cada vez mais a cara da política de sucateamento da educação. Em prol de uma formação despreparada para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade. O curso à distância é oferecido como mais uma mercadoria, aprovada pelo MEC e de valor mais ou menos acessível. Excluindo, claro, o que não possui acesso a equipamentos e internet. E é insuficiente para nutrir todas as carências educacionais dos estudantes. E a importância de sua participação presencial no meio sócio educacional. Visto a grande competitividade para se acessar uma universidade pública e a diminuição de incentivos para a ampliação dos programas de inserção social como o ENEM e o PROUNI.
No caso das escolas cívico-militares, elas influenciam diretamente na formação ideológica da sociedade, impondo um modo de pensar sem relações com outros pensamentos. É um espécie de novo autoritarismo que o novo governo Lula precisará enfrentar.
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