MINISTÉRIO DA CULTURA
A indicação de Alexandre Frota para a participar da PEC de transição do governo Lula mostra apenas o quanto o Ministério da Cultura é frágil. E sempre o último a ser pensado, mesmo no governo Lula. Vivenciamos quatro anos de desmanche da Cultura, desde o discurso nazista de Roberto Alvim, passando pela inoperante Regina Duarte e o patético Mario Frias. Todos eles contribuíram para a extinção das leis de incentivo e da cultura de um modo geral. Mas agora, que o governo Lula poderia lavar a alma desse setor, surge o nome de Alexandre Frota como participante do grupo. Apesar de ter declinado por pressões de Gilberto Gil e Chico Buarque, atacados por Frota quando ele compunha a ala bolsonarista. É realmente lastimável o quanto é chutada para escanteio a cultura no Brasil. É sempre tratada como assunto de quinta categoria. É sempre um “oba-oba” ou então uma política de apadrinhamento sem fim. Barrar a possível candidatura de Alexandre Frota é o mínimo que representantes da cultura do país devem fazer.
Contudo, o Ministério da Cultura não deixou ainda de ser um espaço para poucos opinarem, comandados por uma classe elitista de artistas envolta de privilégios. Por que ninguém da envergadura de um Fernando Haddad para tocar a pasta? Por que é sempre uma estrela artística ou então um parente próximo de algum artista famoso? Por que não um nome que milita pela arte no país e que está a tempos lutando contra o desmanche do setor? Essa postura de pensar o Ministério da Cultura como um “oba-oba”, passa governo e sai governo, demonstra quanto o Brasil engatinha quando se trata de cultura. Mostra que a nossa verdadeira arte tem sido feita por poucos e fora dos sistemas tradicionais de financiamento da cultura, fora dos projetos e leis de incentivo. Que o que pode ser comprovado de mais potente da nossa arte é feito fora desse “oba-oba” de compadrio que é a cultura brasileira. Onde impera a lógica dos herdeiros, que assumem os espaços já trilhados pelos pais.
Mesmo com o afastamento de Alexandre Frota, ainda é preciso lutar muito por um Ministério da Cultura que represente de fato anseios culturais para o povo inteiro. E não apenas para uma elite artística preocupada apenas com o seu umbigo, com a sua bolha e com a sua classe. A cultura de um país precisa atingir desde a dona de casa até o menino que não vê esperança no contexto social em que vive. Esse é o projeto de cultura mais compatível com o governo Lula, e não uma “festa” onde a última coisa a ser pensada é a cultura de fato.
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